escrevendo o que às vezes não sai falado... "Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir". (Fernando Pessoa)
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
PRIMEIRO SEMESTRE DE 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
EM 3 MESES
Descobri novos e importantes amigos. Poucos, mas especiais.
Senti saudades de uma forma que não sabia que existia.
Senti amor à distância e uma forma que não sabia que existia.
Deu vontade todo dia de ver a Lívia.
Passei alguns dos dias mais felizes da minha vida.
Com certeza, passei alguns dos piores dos piores dias também.
Vi que a solidão às vezes ajuda, mas geralmente machuca.
Senti saudades de velhos amigos.
Tirei minha carteira de identidade de estrangeiro.
Estudei como louco.
Tirei dias de férias por conta própria.
Lembrei como é foda ser pobre e não ter dinhEURO.
Planejei viagens para o Brasil que não deram certo até agora.
Aprendi a tomar banho de pé em um furo.
Senti mais e mais saudades e comecei a ficar deprimido.
Experimentei cervejas da Europa e fiz um blog pra elas.
Ouvi muita música sozinho no quarto.
Passei muitos dias no quarto.
Não vi TV (com exceção dos jogos do São Paulo).
Fortaleci minha convicção de que TV não me faz falta.
Estou estudando muito sobre TVDi.
Acabei de ver que sou ambíguo.
Mas sei também que meu projeto não tem muito a ver com a TV que não me faz falta.
Vi lugares que nunca vou esquecer.
Meu pai me visitou nas férias dele.
Descobri que os planos mudam quando se aparece uma proposta melhor.
Confirmei a certeza que os planos mudam, mas os sentimentos não.
Fiquei feliz com os acontecimentos do início do ano lá do outro lado, na família, no Brasil.
Vi a primeira vez uma parada de Dia de Reis.
Na parada, ouvindo um bêbado do meu lado falar para uma criança: Baltasar me dará una Ferrrrrrraari!
Vi a criança não ligando pro estado dele, só de divertindo muito.
Vi crianças sorrindo e acenarem para os reis no desfile.
Descobri técnica nova: quando se está na multidão, é só levar escada pra ficar mais alto que todo mundo. (se isso fosse feito no Brasil, com certeza voariam latas de cerveja, pedras e tijolos...)
Estou lendo Dostoievski em espanhol graças ao Bruno.
Conversei com a Carla hoje e me deu muitas saudades dela e da Gabi e do Felipe.
Faço academia quase todos os dias.
Continuo dando muita risada mesmo estando triste alguns dias.
Comi mais McDonald’s mais que na minha vida toda.
Vi a maior nevasca da minha vida caindo em frente à minha janela e depois na minha cabeça.
Fiz a primeira boneca de neve anã de peito torto da história.
Participei da primeira guerra de neve da minha vida.
Senti muito frio.
Recebi muitas e muitas boladas de neve.
Acertei também muitas boladas de neve.
Virei madrugadas estudando por não conseguir dormir (como hoje).
Terminei de escrever esse relatório trimestral que tenho certeza que não será aceito pela CAPES... rs.
domingo, 28 de dezembro de 2008
¡VALE! ¡QUE VENGA 2009!
RETROSPECTIVA 2008
Rápidas e importantes lembranças desordenadas de um ano que marcou muito.
Deixei as aulas do ensino médio para participar de um projeto de estudo de TV digital. Fui convidado para doutorado sanduíche em Madrid. Aceitei. Qualifiquei na UNICAMP no doutorado. Não sou mais um estudante desqualificado. Reencontrei a Lívia na melhor noite de 2008. Muitas outras ocasiões com ela marcaram muito e foram importantes, mas esse dia foi especial. Depois, começamos a ficar juntos e hoje sei que amo ela mais e mais a cada dia que passa. Estamos juntos e isso é o que de melhor poderia ter acontecido no ano e na vida. Teve início uma peregrinação sem fim, um eterno vai e volta entre minha casa e o consulado espanhol em São Paulo. Redescobri sentimentos importantes dentro de mim. Comecei a entender melhor algumas coisas que me aconteciam com experiências que não sei (ou não quero) explicar aqui. Fui várias vezes pra Poços de Caldas ver a Lívia. Recebi a resposta da aceitação do visto. Depois de um tempo enclausurado em mim mesmo consegui novamente voltar a contar mais de mim para minha irmã-amiga. Deu curto circuito na minha cabeça e no meu corpo e cai enfermo por dez dias exatos antes de embarcar. Os amigos apoiaram minha irmã e minha tia e fizeram uma festa de até logo surpresa que não era mais surpresa. Se não fosse pela minha irmã com a ajuda do Fabinho minha bagagem teria sido apenas a roupa do corpo. Passei as últimas horas no Brasil abraçado com a Lívia. Embarquei com o coração apertado. Dormi e comi três dias em Madrid sem quase sair do quarto. Avestruzar é o verbo que criei para definir melhor essa fase. Vi amigos que já estavam distantes ficarem mais distantes. Vi amigos que elegi como irmãos ficarem mais próximos. Comecei meu blog. Meu pai me visitou em Madrid nas suas férias. Foi uma das melhores experiências que tive perambulando com ele por Toledo, Ávila, Segóvia, Cercedilha, Cotos, Consuegra. Vi e senti a neve pela primeira vez na vida. Vi a maior nevasca da minha vida. Conheci amigos novos e importantes na Espanha. Contatei pessoas e comecei minha pesquisa em terras peninsulares. Recebi muita ajuda e muito apoio antes de vir. Continuo recebendo. Tenho um orientador no Brasil que não é apenas orientador, é um amigo. Ouvi e assisti as últimas rodada do Campeonato Brasileiro na Casa do Brasil, por rádio no notebook no quarto ou na TV lá no pequeno, mas aconchegante, nordeste (Esse apelido deriva da calefação forte que existe dentro da sala de TV. O lugar mais quente dessa casa. O nosso Nordeste.). Vi o São Paulo ganhar o Hexa e o Tri-Campeonato. Flamenguistas e gremistas podem falar o que quiser, mas o título foi lindo! Comecei minha coleção de cervejas européias. Passei um Natal diferente, pela primeira vez, longe da família e das pessoas que amo. Foi triste no começo a noite terminou com um paulista (eu), um gaúcho (Bruno), um catarinense (Fernando) e um campineiro (Rogério) trocando confidências, tocando, cantando, conversando, dando muita risada e esperando o café da manhã. Ouvi coisas importantes e trocadilhos bêbados como volútil e volável. Estudei pra caramba, passei noites em claro, li muito, escrevi muito, publiquei artigos. Tive um trabalho premiado e recebi o convite pra publicá-lo numa revista internacional da Europa. Recebi um convite que me deixou muito feliz e surpreso e para o ano que vem novas perspectivas se aproximam. Ouvi pela primeira vez a Gabi dizer: - Tetiiio, tee amoou! Derreti de felicidade. Descobri o poder da saudade, a forte tristeza da solidão e pude sentir quanta falta faz a presença física da Lívia e das pessoas queridas. Redescobri a importância de dizer para as pessoas o que sinto e quanto gosto delas e como me fazem falta. Foi um ano bem positivo. Só tenho a agradecer por tudo e a todos que ajudaram a tornar esse ano inesquecível. ¡Vale! ¡Venga 2009!